Pensar me faz ficar triste. Pensa que eu não posso gostar de alguém me faz ficar muito triste, ver os outros desperdiçando este dom me faz ficar mais triste ainda. Como que alguém que consegue gostar de alguém pode trair a confiança da mesma? As pessoas deveriam aproveitar os sentimentos que lhes foram dados, para viver bem com quem ente o mesmo por ela. Não é isso que acontece.
Meu nome é... Enfim, meu nome não interessa. Você ta aqui pra ler a minha história e não saber sobre minha vida pessoal (mesmo que minha vida pessoa faça parte da minha história). Ah, pode me chamar de –S, é! Menos Ésse!
Vamos as formalidades: -S, 16 anos, uma menina que nunca se apaixonou por alguém. Sabe aquela história que foi postada aqui? Então, eu era a narradora. As minhas amigas que faziam hora com a cara da pobre menina e de seu pobre companheiro.
Enfim, vamos falar sobre a real história. Pense em uma pessoa que amava outra a ponto de dar sua vida em troca da reciprocidade. Essa pessoa era eu. A conheci em uma festa da cidade, SIIIM! É uma garota! Fazia tudo por ela, tudo tudo tudo mesmo! A acolhia quando ela precisava, chorava junto com ela quando acontecia coisas ruins com ela, me descobri convivendo com ela, minha vida era ela, vivíamos sozinhas em nosso mundo. Sozinhas? É, para mim, ela era a única garota do mundo, e acho que pra ela eu também era a única garota no mundo.
Na escola , ela vivia comigo, mesmo separadas pela maldita coordenadora que a fez mudar de classe após saber da nossa opção sexual... no recreio sempre nos víamos, e toda “8:30” nos encontrávamos no banheiro da escola. Não, não fazíamos nada demais, nunca sequer nos beijamos dentro do colégio, nos encontrávamos apenas para nos olhar, e enxergar dentro de nossos olhos, a felicidade por só estarmos uma perto da outra.
Lembro como se fosse ontem, nós duas sentadas na minha cama trocando fotos de infância. Ela era linda! Aquelas fotos dela criancinha, inocente! Ela me falava sobre coisas que ela tinha medo, como os filmes do chuck, ou de aranhas (nunca vi garota tão medrosa, mas o medo a tornava fofa). Decidi então dar uma das coisas que eu mais valorizava, um porta retratos daqueles que passa de geração em geração, e nele tinha uma foto nossa se abraçando. Ela chorou quando eu coloquei nossa foto, e chorou quando eu dei o porta retratos a ela.
Vivíamos muito bem.
O pai dela arrumou um emprego novo em uma empresa fora do estado, e óbvio ela teria que partir junto a ele. Eu não aceitei aquela idéia, conversei com meus pais sobre ela viver comigo em minha casa, eles aceitaram numa boa. O problema é que os pais dela agiam de maneira preconceituosa, não aceitavam que no fundo no fundo nós duas nos amávamos tão profundamente a ponto de ignorar a sociedade e seus Tabus ridículos (ainda penso se não foi ele que foi na escola e pediu para que a trocasse de turma). Não preciso nem comentar que ao saber da notícia, chorei oceanos, implorei para que me levassem junto, ou que minha mãe se mudasse para lá, nem que demorasse meses, mas eu a queria perto de mim.
Eu não queria mais ir a escola e saber que um dia o banheiro vai estar sempre vazio, que as pessoas não iam mais rir de nós por sermos felizes do jeito que nós somos.
Após minhas crises de choro, minha mãe recebia muitos telefonemas, eu não ligava, até que um dia eu resolvi atender pela extensão e ouvi o seguinte:
“ Tia, estou me mudando agora, não quis fazer despedidas, eu ia sofrer mais! Não queria nem que a *-S* soubesse que eu ia partir. Quero que fale com ela que eu a amo mais do que tudo neste mundo! Quero que ela seja a pessoa mais feliz do mundo e que eu nunca vou me esquecer dos momentos em que passamos juntas. O amor que eu sinto por ela é maior do que o amor que eu sinto por mim. Eu não queria partir, eu não quero partir...”
A ligação foi interrompida por muitos “Vamos embora minha filha! Largue este telefone! Vamos perder o vôo! Anda!” .
Na hora, meu coração parou, rodou um filme em minha mente, eu não queria acreditar naquilo! Porque que ela fez isso comigo? Porque os pais dela não a deixaram comigo? A situação financeira deles era bem inferior a minha, meus poderiam dar uma vida melhor pra ela e eles não teriam que se preocupar com nada.
Não pensei duas vezes, fui correndo para o aeroporto (que ficava a um quarteirão da minha casa) e quando cheguei lá, pude vê-a subindo no avião. Com absoluta certeza era ela! Aquela mochila rosa, fui eu quem deu! Tentei correr para dar um abraço nela, mesmo não aceitando a despedida, apenas um abraço. Os seguranças me retiraram de lá, porque me consideravam uma “ameaça a segurança e conforto dos passageiros”.
Ela levou tudo que eu tinha dado pra ela, e mesmo assim, ela sem querer levou meus sentimentos. A partir daquele dia, eu nunca mais amei ninguém, não sei onde ela está morando, nem MSN nem Orkut nem nada, mas a única coisa que eu sei é que o meu coração está com ela e que ela está cuidando muito bem dele. Txt por @bielsylar.
